No dia 12 de março, participei do Nós Pós 7 e foi muito, mas muito legal.
Vejam um pouco daquela noite feliz:
dança comigo?
que importa no compasso além do passo
se passo-a-passo passo além da porta
que encerra qual comporta o pouco espaço
e em marca-passo irmana passo e aorta -
retorta que destila o descompasso
do corpo quando lasso se transporta
e à porta aporta feito em sangue e laço
(nenhum estardalhaço se suporta)
comporta antes ousar unir o traço
ao braço que no abraço outro conforta
e à dança desentorta em novo passo
um passo e outro passo o chão recorta
rompendo o lacre à porta e ao compasso
ao qual além do passo nada importa
passo o dia a perguntar-me
que foi feito da alegria
qual a causa do desarme
dessa minha fantasia
se sempre fui da folia
primeira a fazer alarde
pouco importando se tarde
ou se já raiara o dia
por que então se me arde
no peito a melancolia
se ainda trago destarte
uma antiga alegoria
que brilha qual estandarte
em olinda ao meio dia
quando o clarim anuncia
um bloco que chega ou parte
dançando o frevo com arte
e sempre me contagia
por que então se me arde,
no peito a melancolia
o que haverá de curar-me
dessa doce nostalgia
de - em silêncio - quedar-me
fugindo do que queria
quando as ladeiras subia
o frevo a contagiar-me
e a alma a incendiar-se
qual paixão que se inicia,
o que haverá de esgotar-me
do peito, a melancolia
quem haverá de falar-me
você será que ousaria
vir em versos revelar-me
qual caminho indicaria
ou pra si reservaria,
(buscando reencontrar-me)
em segredo o ensinar-me
o quê por fim levaria
a de fato despachar-me
do peito a melancolia
quando ao tempo se atribui o esquecimento
o poema traz em si a negação
se o futuro diz-se sempre adiamento
cada verso que se escreve é sem razão
pois remonta a um passado este momento
quando o hoje era o futuro - longe então -
se à distância é imune o pensamento
todo verbo faz-se luz na escuridão
como um fio que retoma o sentimento
e o revive sem qualquer altercação
entretendo-se no próprio alumbramento
de saber-se benefício e maldição
num eterno e ininterrupto movimento
cada verso que se escreve é sem razão?