tábua de marés
de poesia, arte e vida


Sábado, Maio 10, 2008


faxina


a poeira que entrehabita os livros
os discos os cantos mais
recônditos da casa
gruda-se-me às mãos
como se em si
todas as lembranças encerrasse



Márcia Maia


A edição 25 das escritoras suicidas está no ar.
Confiram.



MM, 18:11#

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Segunda-feira, Abril 21, 2008


quase um poema de abril


o cheiro de terra molhada
desata as trancas da memória

a noite entorna-se



Márcia Maia



MM, 19:58#

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Sexta-feira, Abril 11, 2008


um corte


só de silêncio feito
sem sangue
ou faca


charito gil©



day after






Márcia Maia


MM, 15:53#

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Sábado, Abril 05, 2008


legado


largados num canto do armário
a salvo de olhares
vazios
saudosos de pés
os sapatos encerram a sombra
dos passos

a vida esculpida no pó dos caminhos



Márcia Maia


A edição 24 das escritoras suicidas está no ar.
E agora eu também sou uma delas. Confiram.



MM, 18:16#

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Sexta-feira, Março 28, 2008


No dia 12 de março, participei do Nós Pós 7 e foi muito, mas muito legal.
Vejam um pouco daquela noite feliz:




dança comigo?


que importa no compasso além do passo
se passo-a-passo passo além da porta
que encerra qual comporta o pouco espaço
e em marca-passo irmana passo e aorta -

retorta que destila o descompasso
do corpo quando lasso se transporta
e à porta aporta feito em sangue e laço
(nenhum estardalhaço se suporta)

comporta antes ousar unir o traço
ao braço que no abraço outro conforta
e à dança desentorta em novo passo

um passo e outro passo o chão recorta
rompendo o lacre à porta e ao compasso
ao qual além do passo nada importa



Márcia Maia


Ah, e visitem o blog. Garanto que irão gostar.


MM, 16:21#

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Segunda-feira, Março 10, 2008





símile


ao lusco-fusco
todos os fuscas são pardos

assim como os gatos



Márcia Maia


MM, 09:11#

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Sábado, Março 08, 2008


nós: as maias e cia.



múltipla


diz-se eva e anaïs
frida safo cassandra anaíde
salomé ariadne e isabel

diz-se mulher
e resume todos os segredos



Márcia Maia


MM, 06:39#

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Sexta-feira, Fevereiro 29, 2008


desobrigação


abro mão da obrigação
de ser feliz na sexta
à noite

de sair copo a copo
corpo a corpo
bar em bar

basta-me um pouco
de quietude de
silêncio

o balanço da cadeira
na penumbra da
varanda

( copo de vinho solo
de jazz quinteto de
mozart )

a noite azul qualquer
estrela alguma
lua

e a lembrança da tua
boca das tuas mãos
como arrepio

em minha pele



Márcia Maia


MM, 22:52#

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Terça-feira, Fevereiro 19, 2008


victor ivanovski



a outra face


se a fogo fere o amor
a alma e o corpo

o corpo ainda assim vez
por outra regozija

a mágoa ata

e o ódio nada é que o amor
visto do avesso do espelho



Márcia Maia


MM, 22:32#

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Quarta-feira, Fevereiro 06, 2008


contraste


uma paz
efêmera e azul
na tarde de cinzas


Márcia Maia


MM, 14:14#

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Sexta-feira, Fevereiro 01, 2008


alegoria


passo o dia a perguntar-me
que foi feito da alegria
qual a causa do desarme
dessa minha fantasia
se sempre fui da folia
primeira a fazer alarde
pouco importando se tarde
ou se já raiara o dia
por que então se me arde
no peito a melancolia

se ainda trago destarte
uma antiga alegoria
que brilha qual estandarte
em olinda ao meio dia
quando o clarim anuncia
um bloco que chega ou parte
dançando o frevo com arte
e sempre me contagia
por que então se me arde,
no peito a melancolia

o que haverá de curar-me
dessa doce nostalgia
de - em silêncio - quedar-me
fugindo do que queria
quando as ladeiras subia
o frevo a contagiar-me
e a alma a incendiar-se
qual paixão que se inicia,
o que haverá de esgotar-me
do peito, a melancolia

quem haverá de falar-me
você será que ousaria
vir em versos revelar-me
qual caminho indicaria
ou pra si reservaria,
(buscando reencontrar-me)
em segredo o ensinar-me
o quê por fim levaria
a de fato despachar-me
do peito a melancolia



Márcia Maia


MM, 08:51#

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Quarta-feira, Janeiro 23, 2008


sem magia


a lua de janeiro
me emudece

(os cães ladram
perfumam a noite os jasmins)



Márcia Maia


MM, 21:20#

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Domingo, Janeiro 06, 2008


da difícil arte


não basta se dizer creio que é dengue
pois todos os sintomas o indicam
provar é necessário faz-se urgente

depressa há que buscar laboratório
exames se colher pois é preciso
em sangue se inscrever o diagnóstico

(e até o veredicto da ciência
repouso um remedinho e paciência)

que então definirá o prognóstico -
mas dá-se que o hemograma é impreciso
exame por sinal é acessório

importa mais a clínica ao doente
se todos os sintomas ratificam
não há que duvidar afirmo é dengue



Márcia Maia


MM, 17:01#

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Terça-feira, Janeiro 01, 2008


afp



o querer


se não doesse
como se saberia
quão bom não doer seria?



Márcia Maia


MM, 12:09#

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Terça-feira, Dezembro 04, 2007


insidiosamente


tão calma
só néon e silêncio
a rua ainda assim
aflige

sem lua
sem cão e sem mendigo
sem caminhão do lixo
só noite

a desfraldar fantasmas



Márcia Maia


MM, 22:45#

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Sexta-feira, Novembro 23, 2007


cada verso que se escreve é sem razão?


quando ao tempo se atribui o esquecimento
o poema traz em si a negação
se o futuro diz-se sempre adiamento
cada verso que se escreve é sem razão
pois remonta a um passado este momento
quando o hoje era o futuro - longe então -

se à distância é imune o pensamento
todo verbo faz-se luz na escuridão
como um fio que retoma o sentimento
e o revive sem qualquer altercação
entretendo-se no próprio alumbramento
de saber-se benefício e maldição

num eterno e ininterrupto movimento
cada verso que se escreve é sem razão?



Márcia Maia


MM, 10:19#

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Sábado, Outubro 13, 2007


entreato


embaralharam-se-me as linhas da poesia

os caminhos onde leve trafegava
dizem-se ora labirintos
trilhas cheias de espinhos
enlameadas
e o simples trocar de uma passada
faz-se inutilmente vão

a me espiar os pés feridos e as mãos
vazias o vento ri

enquanto eu sigo a caminhar quase-invisível
emudecida
em meio e ao largo - na indiferente
(e normalíssima) multidão



Márcia Maia


A edição 20 das escritoras suicidas está no ar.
E eu também estou . Confiram.



MM, 08:47#

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Domingo, Setembro 23, 2007


pequenina primavera


por vezes
mesclava-se à paisagem
floria
entre ramos de papoulas
jasmins e romãs maduras.

era quase sempre
ao meio-dia
quando imóvel na piscina
tudo ao redor em si se refletia

numa estranha e colorida simbiose



Márcia Maia


MM, 07:54#

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Domingo, Setembro 09, 2007


poeminha cínico


mesmo o mais cinzento dos domingos
diz-se azul quando amanhece

ainda que em meio a terremotos
maremotos tempestades

mesmo o amor mais corrosivo sabe
a mel quando engatinha

ainda que respingue sangue e fel
a cada passo

mais importa o prometido que o
que encerra

à luz dos dias a crua e cínica
e vã realidade

sendo assim seguem sempre azuis
e doces os amores e os domingos -

a propaganda é a alma do negócio
bem se sabe



Márcia Maia


MM, 08:19#

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Quarta-feira, Agosto 29, 2007


brevidade


as palavras se perdem
na pressa dos telefones sem fio

a vida tricota a vida em fios de
não-ditas palavras

e a morte esgarça esses fios



Márcia Maia


MM, 08:01#

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meus livros
falar comigo?
para ler
os meus
de cá
de lá
de qualquer lugar
baú
diga não à violência: