tábua de marés
de poesia, arte e vida


Sexta-feira, Março 26, 2010


Porque o tempo passou e longo se fez o caminho, este blog aos poucos se reinventa logo ali.
Por tudo de bom que aqui juntos vivemos, o meu imenso obrigada.
Um beijo carinhoso e, é claro, espero vocês por .

Márcia



MM, 00:35#

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Domingo, Fevereiro 14, 2010


Maria Rita e Spok Frevo Orquestra: Valores do Passado, de Edgar Moraes, 09.02.2007: 100 anos do frevo!



quase um frevo-canção


era a noite era o pátio era o frevo
era o povo era o passo era a rua

a cerveja esfriava na mesa
e uma a uma as orquestras passavam

se uma história doída findava
(sem sequer revelar-se à tevê
cuja luz bem ali se acendia)
uma nova se já pressentia
(só a lua sabia o porquê)
quando spok edgar jazzeava

e as canções do coral evocavam
do passado o valor e a beleza

nos despiram depois noite e lua
e mais nada direi — não me atrevo



Márcia Maia


MM, 17:27#

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Sábado, Janeiro 30, 2010


perigeu


a lua mais cheia no céu
com marte rubro a reboque

as unhas pintadas de pink

e essa imensa lucidez silenciosa
a desvendar-me abismos



Márcia Maia


MM, 21:14#

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Domingo, Janeiro 17, 2010

marco domino©



teoria da relatividade


"ontem apenas cem corpos foram enterrados"
diz o repórter ao vivo de porto príncipe

nada de insensibilidade nenhum descaso
questão de matemática pura e simples

onde mais de cem mil morreram onde mais de
vinte e cinco mil corpos em vala comum em dois

ou três dias já foram enterrados — cem corpos
cem mortos enterrados em um dia

é dolorosamente pouco muito pouco quase nada



Márcia Maia


MM, 14:18#

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Sexta-feira, Janeiro 15, 2010


ana cristina césar©



adágio grave


um corvo alça voo na manhã do ano-novo
ave negra sobre o céu azul

plana majestoso como se o tempo
em círculos desdobrasse

e pousa no telhado solitário
entre augúrio e agouro — istmo de asas



Márcia Maia


MM, 15:42#

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Sábado, Janeiro 02, 2010


(...)


o ano-novo
derrama-se na sala

e instala-se à vontade
como um velho conhecido



Márcia Maia


MM, 18:38#

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Segunda-feira, Dezembro 07, 2009


tarde


à sombra da mangueira
em flor
sonho antigos dezembros
enquanto
por mim mesma
espero
olhando esse banco
vazio

e não venho



Márcia Maia


MM, 18:49#

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Sábado, Outubro 24, 2009


sideral


quando toco o céu
na tua boca um mar
de estrelas brota em mim



Márcia Maia


MM, 20:16#

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Sábado, Outubro 10, 2009


Com algum atraso, o meu cotidiana e virtual geometria, vencedor do Prêmio Violeta Branca Menescal, Manaus, 2007, como melhor livro
de poesia:






carta de navegação


romper cadeias e escrever além dos códices
e dos modismos da vanguarda — além do cânone
ultrapassar a concisão do verso mínimo
compor sonetos no rigor de rima e métrica
tentando ingleses portugueses e simétricos
aventurar-se do insensato ao ultra-lúcido
do social ao pornográfico e ao lírico
e ainda ousar o verso livre e — sem metáforas
desembocar meio a haicais belos e herméticos
e retornar a esgrimir o econômico
minimalismo da palavra exposta ao máximo
usufruir a criação de modo ávido
na liberdade de dizer-se o que é legítimo
fiel apenas à poesia em si e à ética



(barr)oco


um oco mais oco que o oco
do coco esquecido da água
que escorre do oco do coco
e um oco mais oco que o oco
no corpo do coco destrava

um oco mais oco que o oco
um oco sem corpo e sem coco
um oco mais copo que corpo
repleto do oco mais oco
que o oco do oco — nonada



ômega


voem os peixes sobre as árvores de enforcados
e no escuro mais profundo do oceano possam
os pássaros finalmente erguer seus ninhos

teça o vento tsunamis de estrelas de napalm
que derramem-se e derretam todo olho toda pele —
salgue o sangue o que era leite o que era rio

e da terra que era terra e que ora nada nenhuma
vida rebente até que em frio faça-se o quente
até que o que era consciência seja caldo elemental

até que um deus qualquer desperte e o ciclo todo recomece




Márcia Maia


MM, 12:24#

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Sábado, Setembro 19, 2009


vilmos aba-novák©



o quadro


complacente   ela se aquieta     e espia
não o toca     nada neles diz intimidade

estão ali há séculos   imóveis sentados
o silêncio retumbando em cores vívidas



Márcia Maia


MM, 19:31#

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Sábado, Agosto 29, 2009


márcia maia©  

                                           Paraty: pé-de-moleque  


nem se fosse foxtrote






Márcia Maia


MM, 14:06#

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Sexta-feira, Agosto 21, 2009


sem andor


os ídolos se eu os tivesse
talvez viveriam por anos
enquanto se entretecesse
a teia dos seus encantos

por muitos ou parcos instantes
tal sóis ou estrelas cadentes

desluziriam os meus olhos
até que num dia qualquer
exorcizaria tais ídolos

tornando-os mais fátuos que eternos
em todos os tons de amarelo



Márcia Maia


MM, 22:49#

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Sábado, Agosto 15, 2009


des-itinerário

                  a iosif e também a rodrigo


a morte espreita atrás da tela do computador
janela aberta sobre o mundo
de onde nada se avista
além do dia
a debruçar-se azul e inutilíssimo
sobre o precipício que se escancara em agosto



Márcia Maia


MM, 12:27#

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Domingo, Agosto 09, 2009





De meu pai herdei a cor da pele
e um leve inclinar da cabeça
para a direita
nas fotografias.
Um jeito intenso de viver
amar e dar presentes.
Uma afabilidade cúmplice
no trato com as pessoas
além da profissão
exercida como sacerdócio.
O gostar de almôndegas
cozido e guisado
a mania de cortar toda a carne
no prato
antes de comê-la
e o incômodo de acordar
às quatro e meia
quando poderia dormir
até às dez.



Márcia Maia


para os meus amigos que são pais, meu carinho e meu beijo.


MM, 12:26#

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Quinta-feira, Julho 09, 2009


sequência


toco a teia de ausência nesta tarde
que semelha mais outono
que verão

e o silêncio se me gruda à pele e arde
qual lamento de sem dono
gato ou cão

colhendo fado e infância em cada parte
deste réquiem de abandono
sem perdão

que ora entôo



Márcia Maia


MM, 16:46#

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Segunda-feira, Junho 29, 2009


arqueologia





Márcia Maia


MM, 11:22#

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Sexta-feira, Junho 05, 2009


márcia maia



outono


porque a chuva escorre
derretendo a paisagem
na janela
invento outra
navegando cores
coagulando a imagem
no espaço suspenso
entre a gota e
a vidraça
nada de insólito
crio
nada de exótico
acentuo apenas
os contornos da
minha mente errante
de outras eras
como a neve
rodopiando nos néons
da broadway
tão real quanto
meu rosto


do outro lado
da janela.



Márcia Maia


MM, 18:21#

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Domingo, Maio 17, 2009


poeminha cínico


mesmo o mais cinzento dos domingos
diz-se azul quando amanhece

ainda que em meio a terremotos
maremotos tempestades

mesmo o amor mais corrosivo sabe
a mel quando engatinha

ainda que respingue sangue e fel
a cada passo

mais importa o prometido que o
que encerra

à luz dos dias a crua e cínica
e vã realidade

sendo assim seguem sempre azuis
e doces os amores e os domingos -

a propaganda é a alma do negócio
bem se sabe



Márcia Maia


MM, 07:46#

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Quinta-feira, Maio 07, 2009


da difícil arte


não basta se dizer creio que é dengue
pois todos os sintomas o indicam
provar é necessário faz-se urgente

depressa há que buscar laboratório
exames se colher pois é preciso
em sangue se inscrever o diagnóstico

(e até o veredicto da ciência
repouso um remedinho e paciência)

que então definirá o prognóstico —
mas dá-se que o hemograma é impreciso
exame por sinal é acessório

importa mais a clínica ao doente
se todos os sintomas ratificam
não há que duvidar — afirmo é dengue



Márcia Maia


MM, 09:33#

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Sexta-feira, Maio 01, 2009


via satélite


às quatro da tarde
a lua
       (
        em close
                      )
alta no céu
na tela da tv aparece


             e diz-se luna



Márcia Maia


MM, 19:43#

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