tábua de marés
de poesia, arte e vida


Sexta-feira, Fevereiro 29, 2008


desobrigação


abro mão da obrigação
de ser feliz na sexta
à noite

de sair copo a copo
corpo a corpo
bar em bar

basta-me um pouco
de quietude de
silêncio

o balanço da cadeira
na penumbra da
varanda

( copo de vinho solo
de jazz quinteto de
mozart )

a noite azul qualquer
estrela alguma
lua

e a lembrança da tua
boca das tuas mãos
como arrepio

em minha pele



Márcia Maia


MM, 22:52#

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Terça-feira, Fevereiro 19, 2008


victor ivanovski



a outra face


se a fogo fere o amor
a alma e o corpo

o corpo ainda assim vez
por outra regozija

a mágoa ata

e o ódio nada é que o amor
visto do avesso do espelho



Márcia Maia


MM, 22:32#

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Quarta-feira, Fevereiro 06, 2008


contraste


uma paz
efêmera e azul
na tarde de cinzas


Márcia Maia


MM, 14:14#

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Sexta-feira, Fevereiro 01, 2008


alegoria


passo o dia a perguntar-me
que foi feito da alegria
qual a causa do desarme
dessa minha fantasia
se sempre fui da folia
primeira a fazer alarde
pouco importando se tarde
ou se já raiara o dia
por que então se me arde
no peito a melancolia

se ainda trago destarte
uma antiga alegoria
que brilha qual estandarte
em olinda ao meio dia
quando o clarim anuncia
um bloco que chega ou parte
dançando o frevo com arte
e sempre me contagia
por que então se me arde,
no peito a melancolia

o que haverá de curar-me
dessa doce nostalgia
de - em silêncio - quedar-me
fugindo do que queria
quando as ladeiras subia
o frevo a contagiar-me
e a alma a incendiar-se
qual paixão que se inicia,
o que haverá de esgotar-me
do peito, a melancolia

quem haverá de falar-me
você será que ousaria
vir em versos revelar-me
qual caminho indicaria
ou pra si reservaria,
(buscando reencontrar-me)
em segredo o ensinar-me
o quê por fim levaria
a de fato despachar-me
do peito a melancolia



Márcia Maia


MM, 08:51#

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