Sábado, Junho 28, 2008
 
quase um réquiem
Márcia Maia
Este poema obteve o segundo lugar no Prêmio Off-Flip 2008.
E eu tinha que dividir com vocês a minha imensa alegria.
Pensem numa pessoa feliz!
MM, 17:52#
Ou aqui:
Sábado, Junho 21, 2008
comme d'habitude
e porque o amor bateu-me
à porta e sem pedir
se instalou de mansinho em
minha cama
tratei de me despir
me desarmar desesculpir
(
não sem alguma hesitação
  )
mas vez que o amor tem por
hábito ser efêmero
guardei cada pedaço da
armadura
em caso de ser necessária
a sua reutilização
Márcia Maia
MM, 21:55#
Ou aqui:
Segunda-feira, Junho 16, 2008
versos de circunstância
o casaco sabia de abraços em tempos antigos
e ainda assim cheirava a nada
no máximo um resquício de sândalo e naftalina
mas aquecia
por pouco não aconchegava
Márcia Maia
MM, 17:36#
Ou aqui:
Sexta-feira, Junho 13, 2008
sexteto
se a mim me fosse dado num instante
voltar trás-adiante em tempo antigo
a sós contigo pela vez primeira
num quarto de terceira sem cortina
ou quase pois tão fina até a lua
e a luz vinda da rua a atravessavam
e a nós iluminavam mas não víamos
que então nos descobríamos amáveis
amantes de insondáveis madrugadas
em trilhas de abismadas cordilheiras
marinhas cachoeiras altiplanos
urbanos sobrevôos girassóis
de anzóis resplandecendo à pele nua
tão minha quanto tua sem ferir
mas fosse dado a mim àquele instante
distante hoje voltar o que faria
ruído mais seria que silêncio
e pênsil qual punhal um território
com pouco de irrisório em ti de mim
assim demarcaria sem alarde
depois que a tarde em noite se fizesse
e houvesse aurora alguma a despertar
contar desse momento e desfrutá-lo
inteiro ao recriá-lo sem pudor
do amor detalhes íntimos omito
o grito a graça a garra o gozo o guiso
sem siso o verso eriça a pele nua
tão minha quanto a tua e a ferir
Márcia Maia
imagem:alexandre schneider©
MM, 00:00#
Ou aqui:
|